Não consegui e
saí para caminhar. Sem pressa. Sem rumo. Sem pretensões. Em algum lugar do
trajeto, avistei uma praça e me sentei num cantinho escondido. E ali sentada, ao
me descobrir na vastidão do nada, me senti rendida. Rendida pelas amarras
invisíveis que as circunstâncias me impuseram. Que eu me impus. Que eu sempre
me imponho.Olhei em volta sem conseguir sorrir. Fechei os olhos e respirei
fundo na tentativa de encher meus pulmões de ar. Pensei no meu desejo de mudança. Na vontade de
fazer uma reviravolta em mim. No medo que me paralisa. Em mim. Em nós. Pensei na falta que você me
faz.
Esses últimos
dias sem você me doeram. E me doeram porque ainda gosto. Ainda gosto do cheiro.
Do gosto. Do peso dos teus dedos na minha pele. Das bobagens que você inventa
para me fazer rir. Do sono compartilhado. De você. De você, que me aquece a
alma. Que me dá vontade de viver, de ser um alguém melhor.
Acho que ainda
há tanto a ser revelado. A ser descoberto. As coincidências que fatalmente unem
duas pessoas não acabaram de acontecer. A cumplicidade que também se constrói
na ausência, na espera, nas longas conversas, na saudade e no querer ainda não
se completou.O tempo ainda não agiu a nosso favor. Nós ainda não vivemos juntos
a sorte de um amor tranquilo.
Mas sei bem das
minhas cobranças. Das suas incertezas. De como o desejo é incompatível com as
dificuldades. Do esforço enorme que faço para deixar de ser tua. Sei bem que eu
só aceito a condição de ter você só para mim.

5 comentários:
E você não respondeu a minha última pergunta... pensando bem, era uma pergunta idiota mesmo. É uma pena que esteja tão longe. E é uma pena também que esteja tão apaixonada... eu realmente gostaria muito conhecer você.
Você sempre me lendo! Moro lá e cá!
Sempre! E sempre com um aperto no peito quando vejo que tem um comentário novo. E quando vejo que não tem, também. Isso é esquisito?
Apareça dia desses para jogarmos conversa fora!
Apareço. No lá ou no cá?
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