quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Vida Real?

Derek: I do love you. Don't you see? Don't you understand? You're the love of my life. I can't leave you. But you're constantly leaving me. You walk away when you want, you come back when you want. Not everyone, not your friends, but you leave me.

Carta Inacabada I - Férias

É tempo de morangos e eu estou bem. Acho que, aos poucos, estou aprendendo a continuar. Não foi fácil nem dos mais felizes, mas foi um bom ano o que passou. Eu, tão acostumada com conquistas sem sacrifício, com pouco ou nenhum esforço, tentei ao máximo sair do meu estado de inércia habitual. Foi preciso um ano letivo inteiro para reverter o descaso cometido com as minhas oportunidades. Foi preciso um ano inteiro para recuperar a tranqüilidade, projetos e a fé que eu havia perdido. Vezenquando, lembranças de um passado próximo ainda invadem minhas tardes vazias e me trazem sentimentos confusos: ora de cólera, ora de tristeza. Mas aí, os ventos do presente chegam trazendo a alegria e calmaria que só os dias quentes de verão têm. E fico bem.

Estou na casa dos meus pais, num lugarejo no meio do nada, desde o início das férias. Não tenho muito o que fazer por aqui. Ocupo o meu tempo com idas à fazenda, procuras por amora madura no quintal, novelas do SBT e algumas experiências culinárias. Não li os livros que deveria ter lido, não estudei o que precisava, não viajei, não cheguei nem perto do hospital e ainda não abandonei o açúcar.

Já estou com saudade da minha rotina de lá. Sinto falta dos meus amigos: das risadas da Marcelle, das histórias do Flavio, da companhia da Nádia e da cumplicidade do Gustavo. Sinto falta de tomar vitamina de banana na cantina, das aulas intermináveis de anatomia, do meu apartamento que nunca pega sol e de você. Principalmente de você. Sinto falta de coisas que nem vivemos. Te escrevo, enfim, porque é você quem me faz querer ser uma pessoa melhor. Cuide-se bem, meu querido. Um beijo grande. Sempre sua, Paola.

REINAUGURAÇÃO DA TABACARIA

Deus, põe teu olho amoroso sobre todos os que já tiveram um amor sem nojo nem medo, e de alguma forma insana esperam a volta dele: que os telefones toquem, que as cartas finalmente cheguem.
Sobre todos que de alguma forma não deram certo (porque, nesse esquema, é sujo dar-certo), sobre todos os que continuam tentando por razão nenhuma , sobre esses que sobrevivem a cada dia ao naufrágio de uma por uma das ilusões. Sobre as antas poderosas, ávidas de matar o sonho alheio - não. Derrama sobre elas o seu olhar mais impiedoso, Deus, e afia tua espada.
Que no zero grau de Libra, a balança pese exata na medida do aço frio da espada da justiça. Mas, para nós, que nos esforçamos tanto e sangramos todo o dia sem desistir, envia teu Sol mais luminoso, esse do zero grau de Libra. Sorri, abençoa nossa amorosa miséria atarantada.
(Fragmentos de Zero Grau de Libra - Caio F.)