quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Momento Sex and The City

"Well, maybe it’s time to be clear about who I am. I am someone who is looking for love. Real love. Ridiculous, inconvenient, consuming, can’t live without each other love".

domingo, 19 de setembro de 2010

O dia de ontem

Sou um tanto sensível a estes amores que chegam, destroem avenidas e partem: Distrito federal, Bahia, meu Rio de Janeiro. Eles são sempre intensos e especiais, com toques de bossa nova, coincidências e poesia e, quando nos vemos ao final da noite, estamos completamente vendidos.

E, então, mesmo com súplicas para que fiquem, eles partem.

E nós, nesse deserto de pessoas que conseguem verdadeiramente nos ler, ficamos. E, para ocupar tanto vazio, mandamos cartas doces, fazemos pedidos desesperados em aeroportos, ocupamos a nossa rotina com todas as possibilidades brilhantes que poderiam se concretizar e esperamos.

Nós, por anos a fio, esperamos. E como as cartas não são respondidas,vamos preenchendo as lacunas com pequenas esperanças. Com todas as coisas que eles poderiam dizer e todos os lugares que poderíamos ir. Preenchemos as lacunas com as nossas palavras.

Assim, construímos com o nosso próprio suor e sangue um amor pelo outro. Bonito e sincero, mas repleto de fragilidades e expectativas e o principal: vazio, pois se inicia e termina em nós mesmos.

Aí, um dia qualquer, acontece de termos os nossos ideais degradados. Então, finalmente somos capazes de nos despirmos de nossas fantasias e enxergamos verdadeiramente o outro. Nesse dia, temos a opção de partir ou continuar. Escolhemos ir além. Desfazemos os nós e ficamos. Mas mesmo diante dos ventos da primavera, de tantas palavras bonitas e intenções sinceras, esses amores são do tipo que sempre se vão.

E nós, que ficamos, vivemos enternecidos pelas lembranças. Somos corroídos pedacinho por pedacinho por tanto amor não dado. Fechamos as nossas portas e aos poucos nos transformamos em criaturas solitárias e inatingíveis.


Ontem, me desfiz dessas esperas e optei por pisar no real. Saí pronta para recomeçar, sem comparações, sem expectativas. Estava distraída, tomada de leveza, quando alguém se aproximou de mim. Enquanto conversávamos eu, disposta a não notar tantas semelhanças, ria delas: a mesma profissão, os mesmos olhos azuis. Quando deixei as coincidências de lado, descobri-me, no espelho dos outros, novamente bonita . Capaz de provocar coisas boas e boas. O mundo inteiro de possibilidades que eu havia esquecido que existia.


Às vezes, precisamos recolher todas as garrafas que jogamos ao mar. Às vezes, precisamos parar de esperar que os escafandros finalmente as encontre. Por piedade a nós mesmos.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Noites insones

Hesito por horas e acabo em frente ao seu portão. Sorrio ao ver você me esperando do lado de fora. Desço do carro, caminho ao seu encontro e me perco por longos minutos no seu abraço. Você me pede para entrar. Penso em como é estranho estar aqui depois de tanto tempo. Falo em saudades, pergunto sobre o seu dia e te peço desesperadamente para cuidar de mim. Você me pega no colo e me abraça tão mas tão forte que sinto os meus fantasmas indo embora um a um.

-Não fique assim, você me pede. Eu estou aqui por você. Com você. Eu sempre estive, Paola.



Fico em silêncio. No quarto nenhum barulho além do som dos seus dedos afagando os meus cabelos e da sua respiração pesada. Depois de tantas noites insones, adormeço sem perceber. Durmo em paz. Fico em paz.


-Obrigada, meu querido. Obrigada por me salvar.