"Still
I'm glad for what we had
and how I once loved you..."
Nessa noite fria, em que não se
enxerga nada além da neblina espessa misturada a escuridão, te resgato numa
epifania sem propósito definido. Depois
de quase dois anos sem te escrever, tive vontade de me contar.
Nesse tempo sem você vaguei, por
vezes, por essas ruas do rio sem o teu olhar para me guiar. Conheci a cidade
por outro ângulo. Caminhei sozinha pela Nascimento Silva. Fotografei. Redescobri
a Lapa e suas esquinas. Me apaixonei. Jantei em lugares que nunca fomos.
Aprendi novos sambas. Gostei mais da minha própria pele. Vi gente morrer sem
poder fazer nada. Estive lado a lado do meu pai durante longos segundos de uma
parada cardíaca. O vi voltar à vida. Chorei agradecida aos pés do Cristo,
sempre tão redentor. Fiz meu esse lugar outrora tão seu. Me despi dos meus
próprios preconceitos. Me libertei de você. De mim mesma. Das amarras que aceitei,
dia a dia, sem me resignar. Sem me subverter.
Quando paro e olho para trás, sei que a gente
poderia ter se poupado. A gente deveria ter se poupado: mas eu não soube perder. Nunca soube.
Hoje, um pouco mais madura, vejo que você faz parte do que me fez crescer. Por tudo isso, te agradeço. Zero as nossas contas. E, se fecho os olhos, posso aproveitar por alguns instantes tudo aquilo que tínhamos de melhor.
Hoje, um pouco mais madura, vejo que você faz parte do que me fez crescer. Por tudo isso, te agradeço. Zero as nossas contas. E, se fecho os olhos, posso aproveitar por alguns instantes tudo aquilo que tínhamos de melhor.