terça-feira, 29 de novembro de 2011

Mel e Girassol

"- Sabe, eu pensei tanto. Eu acho que.
Ela se voltou de repente. E disse:
- Eu também. Eu acho que.
Ficaram se olhando. Completamente dourados, olhos úmidos. Seria a brisa? Verão pleno solto lá fora.
Bem perto dela, ele perguntou:
- O quê?
Ela disse:
- Sim.
Puxou-o pela cintura, ainda mais perto.
Ele disse:
- Você parece mel.
Ela disse:
- E você, um girassol
Estenderam as mãos um para o outro..."



Desci do carro apressada, depois de uma tarde inteira pela orla, com o mar se arrebentando aos meus pés. O coração aos pulos. Você caminhou ao meu encontro. Jantares. Histórias. Risadas. Coisas tão boas. E uma madrugada que cedera, rápido demais, seu lugar ao dia que brotava preguiçoso mas inexorável pelas frestas da janela.


Olhei o relógio, marcava oito horas. Passei, em silêncio, longos minutos fitando o teu corpo. Reparei nos cabelos que brilhavam à meia-luz. Na tua mão repousada levemente sobre a minha. Nossas idiossincrasias de repente ali, misturadas. Pensei no sono compartilhado. Na placidez do momento presente. No meu vôo que, em breve, decolaria.

Saí dali olhando a vida que palpita incessante a toda hora, ao nosso redor e a todo local. Prestando atenção na beleza discreta do verde que resiste bravamente em meio a tanto concreto, em meio a tanto lixo. No amor que existe nas noites ébrias, nas horas preguiçosas à beira-mar. Me abri num sorriso imenso, que transbordou pelo canto dos meus lábios. Depois me perdi em elocubrações, nesse mar de possibilidades que navegamos diariamente. Pensei em você. Sorri de novo.


De lá para cá, uns dias doces, sem peso. E vou me deixando levar.