domingo, 29 de novembro de 2009

Cores de Almodóvar

Depois de vagar dias cantando o desamor, molhando travesseiros e maldizendo pequenas esperanças, descubro num dia bonito como o de hoje você ainda presente em mim. Tenho por você a saudade mais bonita. Fitar teu sono, te abraçar apertado, percorrer meus dedos pelos seus cabelos e sentir o cheiro na curva do pescoço me dá um nó na garganta de uma felicidade cotidiana. Alguma coisa que não se explica, mas se sente bambeando pernas, dando taquicardias, borboleteando estômagos.

Ter saudade de você me faz sorrir sozinha, me acalanta a alma. Fico com vontade de te beijar a boca, na chuva, rolando pela grama. Outro dia eu disse que, por não te ter, você me doía. Hoje percebo o quanto estava enganada. Acho que fiquei marcada após ler a carta de Camille Claudel ao Rodin: “Il y a toujours quelque chose d'absent qui me tourmente”. Há sim, em mim, um vazio, alguma coisa ausente que me atormenta, mas tenho aprendido que não me sentir plena é a inquietação que me faz levantar da cama todos os dias em busca de vida.

O ciúme, a insegurança e minha possessividade quase levaram de mim a saudade mais bonita, o querer bem mais verdadeiro. Hoje, pensando diferente, volto a torcer para que o acaso nos coloque frente a frente. Para escutar novamente sua voz. Para perceber nos seus olhos as cores, os reflexos e as sombras desses dias ensolarados de primavera. E se eu, por vezes, senti algum arrependimento, nesse dia tão colorido, tão Almodóvar, tive certeza: te receberei de braços abertos quantas vezes você vier.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Um rio que passou...

Sempre fui de idealizações. Platonismos. Sair sem mala. Com destino incerto. De fazer jantares. Acender velas. Andar mil quilômetros para visitar alguém, encontrar as portas fechadas e voltar. Esperar pelo melhor. De acreditar. Não medir esforços. De cultivar ilusões e mantê-las lindas, dia após dia, numa redoma.


O fato é que não consigo mais. Tenho assistido à morte da minha ilusão mais bonita. Aquela que por tanto tempo me foi essencial, que encheu de cor os meus últimos dois anos. Acho que não existe nada mais triste do que uma ilusão acabar. Mas quando não há reciprocidade qualquer esforço, por menor que seja, torna-se hercúleo demais. Se não sou eu quem te faz ficar acordado pela madrugada, se não é para mim que você liga quando viaja, se não sou eu com quem você quer estar, não me sobra nada além de migalhas, incertezas e esperas. E isso eu não quero mais.


Não há o que fazer: foi acontecendo assim aos poucos, com visitas adiadas, perguntas sem respostas, o telefone mudo. Seria mais fácil se você tivesse entrado em casa, feito suas malas, rasgado fotografias e gritado: não te quero mais. Eu teria raiva, quebraria discos, apagaria saudades, arrancaria de mim todos os vestígios de você. Mas não foi assim. Você deixou subentendido. E se eu, a cada volta sua, fiz planos de sermos felizes para sempre, viagens ao rio, noites em claro e me enchi de expectativas, a culpa é minha.


E agora ficou um espaço vazio, uma inquietação, esse nó na garganta. Meu porto seguro para sempre maculado. Em madrugadas como essa, penso em Bandeira, “em tudo que poderia ter sido e não foi”. Mastigo lembranças, repito pra mim mesma que depois daquela segunda-feira, nunca deveria ter voltado. Que não deveria ter te recebido tantas vezes de braços tão abertos. Envergonho-me por estar aqui, com um desassossego que não me deixa, enquanto deveria estar lá fora, costurando novas histórias, dormindo em outros braços. Quero de volta tudo o que te dei. Devolva o caquinho do meu coração que ainda hoje repousa às margens da Baía de Guanabara, debaixo dos braços do Cristo Redentor.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Para se fazer, sem data marcada:

1-Ir ao Mexico.
2-Ter um caderno de clínica completíssimo.
3-Surfar.
4-Decorar posologias.
5-Um jantar à luz de velas.
6-Nadar sem roupa.
7-Tomar um porre ou mais.
8-Aprender francês.
9-E a sambar.
10-Passear na Rua Nascimento e Silva.
11-Dançar na chuva.
12-Gostar de Jazz.
13-Plantar um ipê.
14-Tirar brevê.
15-Agir.
It always fascinated me how people go from loving you madly to nothing at all, nothing. It hurts so much. When I feel someone is going to leave me, I have a tendency to break up first before I get to hear the whole thing. Here it is. One more, one less. Another wasted love story. I really love this one. When I think that its over, that I'll never see him again like this... well yes, I'll bump into him, we'll meet our new boyfriend and girlfriend, act as if we had never been together, then we'll slowly think of each other less and less until we forget each other completely. Almost. Always the same for me. Break up, break down. Drunk up, fool around. Meet one guy, then another, fuck around. Forget the one and only. Then after a few months of total emptiness start again to look for true love, desperately look everywhere and after two years of loneliness meet a new love and swear it is the one, until that one is gone as well. There's a moment in life where you can't recover any more from another break-up. And even if this person bugs you sixty percent of the time, well you still can’t live without him. And even if he wakes you up every day by sneezing right in your face, well you love his sneezes more than anyone else's kisses.
(Do filme 2 days in Paris)

Última carta

Hoje, no banho, pensei no quanto seria bom sair e te encontrar me esperando na sala, vendo TV. Me imaginei caminhando pela casa, enrolada na toalha, abrindo um sorriso enorme ao te encontrar jogado no sofá. Você é quem eu sempre quis: doce, leve, interessante, divertido, belo, culto. Para sair junto num domingo como esse, para me afagar em sábados como ontem, para fazer planos, dividir minha casa, minha vida.


Vezenquando, não te ter, me dói. Sinto raiva das suas incertezas. Sinto falta de atenção, de carinho, de alguém que vele meu sono enquanto durmo. Às vezes me perco em possessividades e estudos de viabilidade. Pode ser que você tropece por aí e encontre o amor perfeito, seja feliz pra sempre e me guarde como uma possibilidade. Pode ser que eu tropece por aí e encontre um amor mais fácil, seja feliz pra sempre e te guarde como uma possibilidade. Eu não sei. Ninguém sabe.

Se paro e penso, não quero você. Querer você me deixa desassossegada, desejando por um mundo que não posso, agora, ter. Querer você me aquece a alma, me dá vontade de viver, de ser uma pessoa melhor. Saber que existe você, mesmo estando aí, longe, me faz mais feliz. Atravesso os dias mais plena, mais esperançosa.


Torço para que o destino seja gentil e nos coloque em caminhos que se cruzam. Que o tempo aja a nosso favor, afastando dúvidas e diminuindo dificuldades. Que eu, finalmente, tenha a sorte de viver com você um amor tranqüilo.