Eu tinha quase 10 anos e o espírito constestador que me acompanha até hoje quando briguei com a Igreja. Passei por todo o ritual da confissão&comunhão&redenção e, pouco depois, resolvi me livrar dos costumes católicos. A minha ética e moral foi, portanto, fundamentada nos preceitos necessários para ser uma pessoa íntegra e não necessariamente um bom cristão temente aos castigos da Igreja.
Todos nós, temos, em diferentes proporções um certo maniqueísmo - o bem contra o mal, o certo versus o errado. Tem os que não matam porque é ruim, os que não matam porque quem mata não vai para o céu e aqueles que matam, com ou sem motivo. Eu, definitivamente, me encaixo no primeiro grupo. Todas as minhas ações são baseadas em certo e errado. Quando quero agir mal, pondero as conseqüências: se eu estiver disposta a arcar com elas, mesmo sabendo que o caminho não é o adequado, faço mesmo assim. Algumas vezes me arrependo, outras não.
O fato é que, há algumas semanas, eu tenho ido à missa. Não que eu tenha mudado de opinião. Ainda acho que a Igreja atrapalha o desenvolvimento do Estado, que, mesmo sendo laico, é influênciado pelos seus ideais arcaicos e que grande parte daquelas pessoas sentadas nos bancos longos de madeira não passam de grandes hipócritas, que pecam e, em seguida, buscam redenção. Acontece que no fundo, todos nós somos assim. Inclusive eu. Principalmente eu.
Tem se tornado uma rotina: todos os domingos, às 19:00 horas, eu me visto discretamente, pego o meu carro e vou à Igreja. Ainda não sei repetir todas aquelas palavras que os outros sabem de cor, mas a sensação de estranheza tem, cada vez mais, dado lugar à uma certa comoção. Confesso que, quando o padre pediu pelos que tinham perdido a esperança, eu abaixei a cabeça no intuito de me esconder. Depois, controlei a vontade de levantar a mão e pedir ajuda. Não será fácil recuperar a fé perdida há tanto tempo.