segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ídolos de uma vida!

"Porque a vida só se dá pra quem se deu, pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu..."

Sem hesitar, entrei no ônibus e fui. Coração a mil. No bolso apenas o principal: um batom, algum dinheiro e um pedaço de papel com o endereço. Bobagem, eu já sabia de cor. Cheguei a tempo de ajeitar um lugarzinho bacana.

"Não há mal pior do que a descrença, mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão..."

Bons tempos aqueles, pensei, ao ouvir as estórias que tanto me divertem. E cantei. Bem alto. Como se todas as bossas tivessem sido feitas por mim. Para mim. E ri incrédula da comoção que aqueles 5 senhores bem alianhados, com poucos cabelos e talento de sobra causaram em mim.

"Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair, pra que somar se a gente pode dividir? Eu francamente já não quero nem saber de quem não vai porque tem medo de sofrer..."

E voltei pra casa. Barriga vazia, sorriso nos lábios e muita placidez na alma. Acho que sou feliz aqui. Longe de tudo. Perto do meu canto.

segunda-feira, 15 de junho de 2009




"Que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia numa rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro-dentro de mim? É tão pouco. Não te preocupa. O que acontece é sempre natural — se a gente tiver que se encontrar, aqui ou na China, a gente se encontra. Penso em você principalmente como a minha possibilidade de paz — a única que pintou até agora, “nesta minha vida de retinas fatigadas”. E te espero. E te curto todos os dias. E te gosto. Muito. Tô morando, trabalhando, estudando e amando. Esses são os quatro foles da minha vida, no momento, e sobre cada um deles eu teria milhares de páginas a preencher". (Trecho de Caio F. )

domingo, 14 de junho de 2009

Últimos dias de outono!

O termômetro marca quinze graus. O frio não atrapalha os planos. Antes de sair abro a janela desse meu quarto andar e deixo o vento bater gelado na minha cara. Penso na coincidência da data. "A vida sempre continua", repito baixinho como uma oração antes de sair. Sorrio ao me lembrar das histórias que acontecem inesperadamente. Calço os meus sapatos, dou uma última olhada no espelho e desço apressada os 72 degraus até a rua. Ando com uma vontade louca de viver...

domingo, 7 de junho de 2009

O Grande Gatsby!


"He had come such a long way to this blue lawn, and his dream must have seemed so close he could hardly fail to grasp it. But what he did not know was that it was already behind him..."

A carta que não chegou

É alta madrugada. A solidão me dói um pouco. O telefone não toca. Cinematografias não acontecem. Pela janela vejo o cinza das nuvens que encobrem quase todas as estrelas. Aqui dentro, o frio dói nas canelas. Deu vontade de te escrever. Para que o não-dito não se perca. Você sabe, gosto da palavra escrita. As cartas, mesmo que terminem na posta-restante, permanecem. Queria escrever coisas lindas para você, daquelas que dão vontade de entrar no primeiro avião, mas o que tenho são só cotidianidades pouco interessantes. Uns cansaços, umas saudades, dramas burguês, dias de marasmo em Minas, uma ou outra epifania.

Estou em minha nova sala cujas paredes alvas, ainda sem quadros, aguardam algum dia de inspiração para receber enfeites ou testemunhar uma emoção dessas que fazem o coração acelerar quando nos lembramos. Dizem que as cidades, as pessoas ocasionais e os apartamentos alugados foram feitos para serem abandonados. Acontece que um apartamento novo torna-se, pouco a pouco, o nosso lar. Pessoas ocasionais, na melhor das hipóteses, transformam-se em amores. Uma cidade, após a descoberta de pequenos prazeres torna-se a nossa cidade e, de repente, na volta de uma viagem qualquer, avistamos suas luzes e eis que nos sentimos em casa. Não sei, portanto, porque gosto de me mudar.

Para quem tem como ideal de cotidiano a bossa nova mais tolinha, são tempos difíceis. Não entenda mal, eu estou bem, são só alguns desassossegos. Um vazio temporário que me incomoda. A sensação de que falta alguma coisa. A frustração de encontrar a pessoa certa, na hora errada. Acontece que estar dentro de um hospital muda a gente, sabe? Não é fácil navegar diariamente num mar de fatalidades e não se abalar. Ser espectadora do sofrimento alheio. Enfrentar as minhas limitações, os medos, as mortes inesperadas e inexoráveis. Depois de perceber toda a nossa impotência frente aos desequilíbrios do corpo e como a vida é frágil, acho que nunca mais serei a mesma. Mas sempre há a beleza nas pequenas coisas, a esperança, aquele um que, contra todas as expectativas, se salva. Porque eu nem sempre quis ser médica, mas eu sempre quis ser útil. Geralmente, dou mesmo o melhor de mim.. Em alguns dias, porém, apenas minto, me iludo que tentei o tanto quanto poderia e opto por outro paciente, outro amor, outro sonho...

Não escrevi antes para você porque estava no meu direito de mágoa, de achar que toda a identificação pautada em nossos diálogos lentos tinham sido só superficialidades e dissimulações. Hoje percebo coisas diferentes. Percebo que, dentro de tanta gente que passou em minha vida, foi você quem foi mais fundo. Dividimos muito mais do que horas, éramos companheiros. Foi assim que percebi o quanto de você ainda faz parte de mim. E é bom te ter assim comigo, muito embora você nem desconfie.

Eu acredito no destino. Tanto, que presto atenção nas menores coincidências. Percebo pelo caminho músicas de fundo, cenários, cenas de algum filme na vida real. Acho que para que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se juntem desde o primeiro instante. Acontece que o mesmo acaso que une é aquele que separa. Às vezes penso em como seria se as coincidências que fatalmente unem duas pessoas tivessem terminado de acontecer. Mas quem é que pode com a distância, o tempo e o vento que insiste em soprar? Apesar de, sinto sua falta. Sinto falta de tudo aquilo que amo em você: sua força, o azul da sua íris, a placidez contagiante, o peso do seu corpo contra o meu, sua alegria, o cheiro nessa curva onde termina o pescoço e começa o ombro...

Fica muito tarde. O sono chega de uma vez e toma conta de mim. Para não pensar no componente de renúncia que faz parte da vida, arrumo toda a sorte de alegrias homeopáticas. Faço planos para amanhã. Retomar a academia. Estudar. Arrumar a casa. Fazer um bolo. Ficar por aqui e curtir o tempo que me resta. Então as minhas forças para tergiversar acabam e decido apenas seguir despreocupada, crente no acaso. Vai que.

Antes de dormir te guardo com ternura e afeto. Na gaveta das coisas boas, independentes do desfecho. E sigo torcendo para que seja bom tudo o que vier no seu caminho. Para que você tenha muita fé na vida, em Deus, nos outros e em você mesmo. Para que você não perca as oportunidades e me queira sempre bem.

É mesmo desconcertante rever o grande amor, pensei naquele dia, ao entrar no táxi. Foi o nosso Casablanca, última cena. E agora um caquinho do meu coração repousa às margens da Baía de Guanabara, bem debaixo dos braços do Cristo Redentor.


-"Vou te escrever carta e não mandar.
-Vou tentar recompor teu rosto sem conseguir.
-Vou ver Júpiter e me lembrar de você.
-Vou ver Saturno e me lembrar de você.
-Daqui a vinte anos voltarão a se encontrar.
-O tempo não existe.
-O tempo existe, sim, e devora.
-Vou procurar teu cheiro no corpo de outra mulher. Sem encontrar, porque terei esquecido. Alfazema?
-Alecrim. Quando eu olhar a noite enorme do Equador, pensarei se tudo isso foi um encontro ou uma despedida.
-E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.
(Silêncio)
-Mas não seria natural.
-Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
-Natural é encontrar. Natural é perder.
-Linhas paralelas se encontram no infinito.
-O infinito não acaba. O infinito é nunca.
-Ou sempre".
(Trecho de "O dia em que Jupiter encontrou Saturno")



Fique sempre junto dos seus.
Te beijo,
P.