"Não quero medir a altura
do tombo
Nem passar agosto esperando setembro"
Nem passar agosto esperando setembro"
Naquele dia o céu era de um azul
tão límpido que era difícil não sentir esperança. Antes de sair da cama e me
atolar outra vez numa rotina vazia e sufocante, permaneço por longos minutos imersa num mar de edredons, com as cobertas puxadas até o queixo, os olhos entreabertos, um silêncio ensurdecedor. Gosto
tanto de ficar deitada ali, onde ninguém há e nada acontece. Ali, onde de concreto, apenas a possibilidade de um universo idílico onde eu seria mais feliz,
tolerante e generosa, como são todos os heróis
dos livros que ainda nem li.
Tenho a sensação de que a nossa
vida é composta de essencialidades subestimadas: as manhãs preguiçosas e ensolaradas.
As miudezas do dia. O acalanto que vêm das madrugadas. A companhia do outro. O
sono compartilhado. As possibilidades que, vezenquando, batem à nossa porta. As pequenas e raras epifanias.
Outra vez tergiverso, me perco em
elocubrações bobas. Distorço idéias para encaixá-las na minha visão estreita de mundo. Penso em você, que não me vê. No cabelo em desalinho. Na personalidade meio caótica. Nos absurdos
que você diz. Tão seus, no fundo tão meus. Suspiro entre um sorriso e outro. Gosto de você.
Daí levanto e toco a vida sob a égide do menor esforço.
Daí levanto e toco a vida sob a égide do menor esforço.
"Tudo quero mais ou menos
quanto
Vida vida, noves fora, zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver
(Se é assim quero sim, acho que vim pra te ver)"
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