Paciente internado por uma semana em Unidade de Pronto Atendimento para tratar uma insuficiência renal crônica agudizada que ele nem tinha veio encaminhado sem acompanhante, em delirium e sem antecendentes conhecidos. Depois de alguma investigação, diagnóstico solucionado: idoso, vítima de queda, piorando progressivamente as funções mentais e motoras devido a um hematoma subdural crônico de grande monta.
-Vai morrer! Precisa de neurocirurgia urgente, transfira-o, ordenou um dos mestres.
Por quase uma semana minha vida foi um corre para cima pegando exames, corre para baixo adiantando laudos, uma espera lenta por uma vaga que custava a vir.
A transferência saiu na manhã de natal. Dias depois, ao procurar saber sobre a evolução do quadro, veio a desoladora notícia de que nada seria feito: os riscos eram muito altos, a equipe não queria mais uma morte, o paciente era velho e demente demais. Minha indignação de nada adiantou, naquele momento deu-se o desfecho definitivo do caso: uma internação que provavelmente durará meses até que alguma infecção nosocomial cale o último sopro de vida.
-Minha filha, a medicina nem sempre é assim, consolou-me o mestre.
O paciente continua vivo. Sem prognóstico. Sem chance de salvação. Abandonado à própria sorte. E eu sigo com uma frustração nada altruísta: pelo meu fracasso. Por ser espectadora do sofrimento alheio. Por ser jovem e ter que lidar com tudo isso. Por trazer esse memento mori para dentro de casa, pelos jantares, pelos dias ensolarados trocados por suor e sangue.
Um comentário:
ola paola deixa te fala aprendi ter um carinho muito forte por voce acredite te acho especial...
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