Depois de vagar dias cantando o desamor, molhando travesseiros e maldizendo pequenas esperanças, descubro num dia bonito como o de hoje você ainda presente em mim. Tenho por você a saudade mais bonita. Fitar teu sono, te abraçar apertado, percorrer meus dedos pelos seus cabelos e sentir o cheiro na curva do pescoço me dá um nó na garganta de uma felicidade cotidiana. Alguma coisa que não se explica, mas se sente bambeando pernas, dando taquicardias, borboleteando estômagos.
Ter saudade de você me faz sorrir sozinha, me acalanta a alma. Fico com vontade de te beijar a boca, na chuva, rolando pela grama. Outro dia eu disse que, por não te ter, você me doía. Hoje percebo o quanto estava enganada. Acho que fiquei marcada após ler a carta de Camille Claudel ao Rodin: “Il y a toujours quelque chose d'absent qui me tourmente”. Há sim, em mim, um vazio, alguma coisa ausente que me atormenta, mas tenho aprendido que não me sentir plena é a inquietação que me faz levantar da cama todos os dias em busca de vida.
O ciúme, a insegurança e minha possessividade quase levaram de mim a saudade mais bonita, o querer bem mais verdadeiro. Hoje, pensando diferente, volto a torcer para que o acaso nos coloque frente a frente. Para escutar novamente sua voz. Para perceber nos seus olhos as cores, os reflexos e as sombras desses dias ensolarados de primavera. E se eu, por vezes, senti algum arrependimento, nesse dia tão colorido, tão Almodóvar, tive certeza: te receberei de braços abertos quantas vezes você vier.
Nenhum comentário:
Postar um comentário