
Houve perdas, esperas, cansaços, fracassos, desencontros e lágrimas. Ganhos, risos, amigos, encontros e amor, ainda quê. Perdi-me por tempo demais nos abismos de mim. O telefone não tocou. Um pedido de desculpa nunca veio. As portas da minha casa ficaram abertas para ninguém entrar. O amor escapou entre os dedos. (Ir) - remediável? Não sei. Eu continuo a mesma. Me falta determinação e me sobra inconstância. Quase não sinto o gosto amargo de fracasso na boca, ainda que haja uma sensação de impotência impregnada em todos os meus poros. Não choro mais e quase não sinto dor. Ainda não sei lidar com as perdas, mas me acostumei com o vazio e já não tento descobrir os porques. Sigo com as pequenas esperanças, sempre redentoras. Não tenho lista de boas intenções e apenas um único desejo para 2007: que seja doce!
"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. Quando há sol, eesse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder.Tudo é tão vago como se fosse nada..." (Dragões não conhecem o paraíso - Caio F.)
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